Desabafos...



Quem não precisa de desabafar de vez em quando? Mesmo que seja apenas por um minuto, escrever no teclado é um mecanismo de defesa que nos liberta...
Desabafar, comentar, às vezes "cuscar"...sim, vamos a isso!



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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Embalar



A minha alma despiu-se…
Renasci no sonho de amar,
Mergulhei na densidade de um olhar,
Aprofundei a essência
Dessa tua envolvente voz
Que invade a redoma do meu sentir,
Que embala meu coração.

A alma renovou o beijo,
O toque,
O desejo.

Em pleno me entrego,
Desassossegadamente,
No poderoso mundo
Onde tu me cativas
Vivamente,
E me embalas
Avidamente.

No poderoso mundo,
Que te pertence,
habito… aconchego…

Caminhamos no sossego,
No calor do teu amor,
Sereno,
Que nos embala o coração
E nos permite
Renascer para a vida.

Contigo,
Por ti,
A minha alma
Renasceu.


Patrícia C.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Recomeça Sempre



RECOMEÇA SEMPRE

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem ou mulher, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga – “Diário”

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

As Folhas...


Esvoaçam as folhas caídas no chão,
no meu chão,
que desapareceu ...
Pairam todas as recordações,
desfalecidas,
sob o céu negro do dia.
O nevoeiro abraça o sentimento,
a dor de imaginar,
a cruel agonia de reviver
as sensações passadas,
o medo,
a angústia de sofrer.
Regelam os sorrisos de outrora
petrificados pela ausência do ser.
O vazio é preenchido pelo nada.
O horizonte é repleto de ténues abraços.
Segredas-me felicidade.
Murmuras-me paz.
Apagas o negro do meu céu,
elevas um sólido chão,
e as folhas crescem novamente
na árvore da vida.




Patrícia Cruz

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Marionete


Vazio...
Vácuo...
Silêncio...
Queda livre...
Até quando?

A marionete move-se
ao sabor de quem a comanda;
cai, levanta-se,
anda, pára,
obedece
sem poder fazer valer o seu desejo.

Palavras?
Quais?

O alcance da vontade,
a experiência da razão,
a desordem da vida,
o caos permanente
esmagam-me poderosamente.

A certeza é única,
o sentimento é genuíno
e a vida passa
apressada.

Tento alcançá-la,
ser mais uma passageira
nessa viagem
cujo destino nos é desconhecido...
... mas apetecível.

Corta os fios que me prendem,
faz valer o meu desejo,
ampara a minha queda,
porque a genuinidade é plena!
Patrícia Cruz

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Explicação


Esvoaçam palavras...
Ecoam gritos...
Erguem-se olhares...
Movimentam-se gestos...
Derramam-se beijos...
Espalham-se afectos...
Escutam-se suspiros...
Fermentam paixões...
Lançam-se carícias...

E tudo porque a máquina que me faz viver
bate cada vez mais depressa
sempre que te aproximas;
Vibra intensamente
sempre que falas;
Estremece incessantemente
sempre que tocas;
Extasia-se ternamente
sempre que beijas.

De cada vez que respiro, sinto o ar que te envolve...
De cada vez que abro os meus olhos, vejo o que te rodeia...
De cada vez que ouço os ruídos existentes, escuto o que à tua volta murmura...

É que a razão que nos permite sobreviver
é exactamente aquela que nos completa.

E a razão que nos completa
é a que nos permite sobreviver.


Patrícia Cruz

sábado, 11 de agosto de 2007

Douro...



Douro...
Já alguém mencionou toda e qualquer comparação harmoniosa que transcende o imaginário...
Cresci no Douro...
Os melhores momentos da Infância foram vividos no Douro...
Aprendi a nadar no Douro...
Enquanto percorria os quilómetros lado a lado com o rio, todo o meu ser se concentrava na paisagem única, verdejante, fresca, pura, tenra, naturalmente bela...
Douro...
Fechando os olhos, viajo instantaneamente com um bilhete de ida (não de ida-e-volta) e a mente se liberta, subindo e descendo os degraus das vinhas, correndo através dos vales, sentando-me como espectadora privilegiada naquele que é o maior e majestoso anfiteatro de todo o Universo... o Douro...
Douro...
Douro...
A saudade torna-se insuportável,
O desejo torna-se insaciável,
A escrita... essa torna-se impossível...
Douro...
... espera por mim...

Patrícia Cruz

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

LOVE


Amor…
Quem nunca esteve apaixonado?
Atreves-te a dizer que não sentes algo de tão forte, inexplicável, sensacional, fantástico?

Amor…
Um sentimento que nos faz pairar no ar, que nos faz esquecer do tempo, que nos faz permanecer perdidos nos encantos da nossa alma gémea…

Amor…
Que palavra tão abrangente, que nos abraça e acaricia num toque sedutor e nos faz sentir a leveza da alma, a paz de espírito, a vontade selvática de partilhar a ternura, de ver crescer uma felicidade plena, uma vida inteira de alegrias, um caminho que nos lidera, guia e encaminha rumo ao mais puro dos sentimentos.

Amor…
Tens o comando do meu coração.
Mas isso, tu já sabes.
Certo??

Patrícia Cruz

sábado, 28 de julho de 2007

Definição

"Meu amor"... - disseste tu.
Li como se fosse a primeira vez que tal expressão surgisse para mim, a mim dirigida.

O sangue borbulhou
num oceano de gelo
que fervilha...
e percorreu-me,
levitou-me.

Define o que sinto,
ilucida-me.

Não é pedir muito.

Cada vez que te vejo,
a voz emudece,
a respiração intensifica,
invade um estranho tremor
pelo "eu"...

As palavras fogem,
abandonam-me,
impõem o meu estado
de orfã de letras,
de todas as expressões
possíveis de serem proferidas
neste momento.

Define o que sinto.

Ilucida-me.



Patrícia Cruz

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Silêncio


Permaneço calada,
num quadro belo
onde nada tem valor próprio,
valor verdadeiro,
valor inconfundível.
Nada,
nesta minha visão,
se confunde com o meu ser.
Nada,
extensível a mim,
se contorce,
se atropela na minha avenida da vida.
Tudo o que me rodeia
é fiel,
é inimitável,
dependente
aos traços da existência.
É impossível imaginar
um completo silêncio
vagueando
por entre o vento,
por entre o vago,
emanando lágrimas,
propagando a minha raiva,
o meu ódio,
a minha dor...






Patrícia Cruz



quinta-feira, 26 de julho de 2007

Desaparecimento


Algo de mim já foi embora.
Fugiu e deixei escapar.
Algo de que não me lembro.
Apenas vi partir
o que não mais voltará.
O que é não me lembro.
Esqueci.
Perdi na memória.
Mas saudades não tenho.
Não sei o que partiu
nem me sinto só.
Foi algo que desapareceu
no instantâneo.
Deixei escapar e nem sei o quê...



Patrícia Cruz

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sono

(Salvador Dali - Sleep [1937])



Deitei-me.
Adormeci numa planície.
Escalei uma nuvem.
Caí.
Chorei.
Lutei para sentir amor.
Percorri sentimentos vagos,
inúteis.
Acordei.
Permanecia sozinha.
Amava sozinha.
Amei...
Morri.



Patrícia Cruz

domingo, 22 de julho de 2007

...Só tu!...


Chove...
Está escuro e apenas observo as gotas da chuva que deslizam pela janela.
Parecem apressadas, desorientadas, perseguidas por outras que a elas depois se juntam.
O rio, lá em baixo, corre velozmente, apressado, mas não desorientado.
Embate em cada pedra que se atravessa no seu caminho.
Foge da chuva tal como eu fujo da mediocridade.
O céu, esse, cobre-me com o seu manto negro, capaz de pressionar o mais forte dos troncos das árvores que me rodeiam, revertendo-as em apenas meras raízes...
Olho e vejo o som monótono do gotejar arrítmico que nem sequer sabe o que proferir para me renascer numa doce carícia e me despertar para a vida.
E a lua?
Não a encontro, não a vejo.
Escondeu-se sob o manto provocador que sobre nós prevalece.
Quem me ilumina agora?
Quem me orienta, agora que o luar deixou de existir?
Saberás tu a resposta?
Serás tu capaz de denunciar esse ser que me transmite a paz, a harmonia, a felicidade tal como um orientador raio de luz incandescente?
Sei onde estás, sei onde queres estar, sei onde estaremos.
Basta um olhar para sabermos o que não é dito.
Basta o respirar para termos a certeza do que percorre na nossa alma.
As palavras?
As palavras... essas são partilhadas na alegria do silêncio...
Os pensamentos, os sonhos, os desejos nascem sem palavras e da mesma forma se encontram depois, rejubilantes, naquele silêncio transcendente.
As gotas da chuva espreitam para ler o meu pensamento, mas apenas tu o consegues!
O manto escuro, pressiona-me de encontro a uma plataforma desnivelada, tentando, a todo o custo, intimidar-me para que eu revele todos os sentimentos, mas apenas tu o consegues!
A lua escondeu-se, mas ela sabe.
Não é cúmplice, porque ela me conhece... e tu também!
Partilho agora este silêncio...
Chiuuu...
Não digas nada...
Sente apenas o que sinto...
Porque só tu sabes!

...Patrícia...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Para Reflectir!!


"Posso ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."





(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

STOP


Pára!
Não me vês?
Esse silêncio ensurdecedor
esmaga o meu fragilizado tímpano,
destrói a vivacidade
do meu simples gesto,
corrói o intragável medo da solidão.

Nada mais vale a pena!!...

Percorres, no sentido oposto,
um vasto percurso
do qual me vedas a entrada.

Grito e não me ouves,
emudeci num sussurro,
desisto do apelo.

Não páres!
Não me vejas!
Não me escutes!

Esse teu caminho
resume-se a um deserto beco sem saída...

E eu...
Eu iniciarei uma livre e imortal viagem...
...até ao meu destino!

Patrícia Cruz

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Razão...


Qual a razão da tua existência
Se a razão do meu viver
Me foge entre as mãos?

És um fumo jamais alcançado
És um rio jamais explorado...

Qual a razão da minha existência
Se a razão do teu viver
Te escapa por entre os dedos?

Sou um sentimento desejado
Sou um horizonte jamais tocado...

Mas a razão da nossa existência
É a razão da nossa vontade
É a razão da nossa harmonia
É simplesmente a ânsia por um dia de pleno prazer vivenciado!


Patrícia Cruz

sábado, 23 de junho de 2007

Se ao menos...


Se ao menos
houvesse algo para sentir...
Se ao menos
existisse vontade...

É que a mentira
apodera-se velozmente da alma,
reparte-a desordenadamente,
desintegra o corpo,
suga-lhe o desejo,
expele-o para a ignorância.

Mas o sentimento
flui na tortura do silêncio;
A vontade
esvai-se em pedras
que rolam de encontro ao nada;
E a mentira
surge como consolo;

O vazio
reina no profundo desconhecido.
Desespero!


Patrícia Cruz

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Cântico de Barro - Maria Alberta Menéres

Cântico de Barro

Inquieta chuva, inquieta me dispersa,
esquecida a tradição e o cansado som.
Dentro e fora de mim tudo é deserto
como se as ervas fossem arrancadas
ou se esgotasse a dor por que se chora.

Na grande solidão me basta, e a contemplo
para o sonho interior que me resolve!
Tão fácil é esperar, que já nem sinto
o que vem a dormir ou a morrer
na mesma angústia que o silêncio envolve.

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Quanta honra!!

Conheci pessoalmente uma das mais ilustres escritoras da nossa literatura.
Maria Alberta Menéres, poeta e autora de livros para a infância, transporta-nos para uma dimensão encantadora através das suas palavras, dá-nos a oportunidade de sentir um envolvimento real e mágico ao longo do desenrolar das suas histórias.

Alma(s)


Como uma pedra lisa
que rola sem parar
descendo,
rolando,
pelo desfiladeiro
interminável
do meu caminho,
da mesma maneira
minh'alma percorre,
vagueia,
penetra
em tudo o que é
desconhecido,
mórbido,
estranho...

Patrícia Cruz (9 de Fevereiro de 1994)




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Numa fria madrugada
quando tudo ainda dorme
minh'alma acordada
vagueia no céu enorme...

procurando o quê, não sei...
por entre todos os camimhos
minh'alma acordada deixei
vaguear por montes sozinhos,

despidos da luz da vida
isolados e arrefecidos
de uma solidão perdida.

Minh'alma vagueia livre
até ao novo amanhecer.

Patrícia Cruz (16 de Fevereiro de 1994)